O velho Druida juntou-se à travessia,
Uma resposta que muitos perguntavam
Em um lugar distante ele buscava.

No azul infinito entre céu e mar
Passaram-se dezenas de dias
Até que a terra cortou o horizonte.

O Druida desceu confiante
Olhou por tudo e pareceu confuso
Onde estão os sábios desse solo distante?

Os sábios estão nas montanhas, –
Falou um mercador reticente –
Nas cavernas, nos ermos sussurrantes.

Me leve a eles prestativo comerciante
Pago por seus serviços com a moeda de teu povo
E levo comigo um presente para meu igual.

Levas uma harpa a um eremita?
Disso ele não fará uso
Leves comida, é o que necessita.

Comida?
Como pode um sábio servir seu povo
E em troca não receber seu soldo?

– Me leve então a este seu eremita,
Meu tempo já se foi um tanto
E preciso conhecer o sábio que precisa de comida.

Meio dia de viagem para chegar à caverna
O Druida desconfiado perguntou ao seu guia
Tem certeza que mora alguém aqui?

Então o eremita sai da caverna
Magro, sujo e sereno,
Um sábio desse lugar que chamam de Índia.

– Trago um presente em boa hospitalidade
Um presente segundo seus costumes
Assim me disseram de antemão.

Nenhuma resposta o sábio pronunciava
Nenhuma hospitalidade
Nenhuma forma de comunicação.

Eu vim em busca de respostas
Mas elas mudaram ao longo do caminho
Falarás comigo Sábio irmão?

O comerciante falando baixinho
Anunciou a situação
Voto de silêncio é o que o impede de falação.

– Mas como obter uma resposta de um sábio mudo?
Afinal como ele fala ao povo sem voz?
Se ele não fala como sabes que ele é sábio?

– Você busca na fala a sabedoria?
Falar ao povo não traz iluminação
Só silencio cura inquietação

De boca aberta senta-se o comerciante
Uma voz enfraquecida pela primeira vez ouvida
Era o que ele via como uma aparição.

– Como você inspira os homens?
Como aconselha os reis?
Sábio eremita, como fala aos deuses?

– Nada disso é minha função
É só a meditação que é minha companheira
A mente vazia que busca o nada, Sábio Druida.

– Isolado, sem voz e buscando a anulação…
Como age você na sociedade?
Como compartilhas com os reis, homens e mulheres teu saber?

– Eles não precisam de mim
Não há nada que possa lhes dizer que mudará sua condição
Só o silêncio é a chave da elevação!

E então, calou-se e entrou na caverna o eremita,
Nem uma palavra, nem uma despedida,
Talvez uma ofensa tivesse sido proferida.

O Druida desceu a montanha calado.
Silêncio e sem nenhuma responsabilidade na sociedade
Como pode ser sábio esse eremita?

-Cuidado, não toque no intocável! –
Um empurrão do comerciante
E seu monólogo interno é interrompido.

– Porque tanta cutela?
Um homem que não se pode tocar?
Essa é a condição dos desonrados aqui?

– Desonrados? Não Druida!
Eles nasceram da poeira debaixo do pé de Brahma
Por isso não se deve tocá-los.

– Mas um homem é definido por seu nascimento?
Como pode ele adquirir honra sem contato?
E como poderiam chegar estes a nobres, comerciante?

– Reis, guerreiros, comerciantes e servos,
De outras partes do Brahma nasceram,
Cada qual tem seu lugar imutável, sábio Druida.

– Hum… Agora tudo faz sentido!
Um sábio Druida só traria confusão entre os seus,
E um sábio indiano só traria apatia entre os meus.

E assim a viagem de volta foi triunfante,
O Druida achou o que buscava,
Afinal cada povo tem sua sabedoria.