Descobrindo o Ogham: Interiorização e Aprendizado

O exercício que se segue foi desenvolvido com a finalidade de proporcionar um aprendizado efetivo dos significados de cada elemento do Ogham, ao mesmo tempo que estes passam a agir como professores de sua própria sabedoria e transmutadores do nosso ser no decorrer da sua prática. Trata-se, antes de tudo de um processo de interiorização de valores e características das simbologias relacionadas ao Ogham. Dentro do exercício, alguns elementos são fundamentais: trabalhar a percepção do macro e do micro, ao tentar perceber como as coisas interagem entre si, a transformação/transmigração da consciência quando o exercício progride e a interiorização dos valores que estão agregados a estes elementos e que fazem parte incondicional da mentalidade/sociedade céltica como a conhecemos hoje.

Para tanto algumas considerações iniciais são necessárias. A primeira parte do exercício, embora não seja parte do processo, mas seja fundamental para seu melhor funcionamento, é faça seu próprio Ogham, não compre, não empreste e não peça para alguém fazer, faça-o. Outra coisa importante neste exercício é que ele deve ser feito de dia, pois o efeito desejado é uma transmigração da alma, a criação de um elo de conexão com os elementos desejados tão forte que possamos sentir e saber efetivamente quem eles são e como são. Como estamos falando de elementos e precisam necessariamente de sol para viver é importante criar esse elo no momento em que eles estão mais ativos, como à noite a atividade destes é menor, salvo raras exceções, a ligação é menos intensa. E por último, mas não menos importante, faça oferendas a Ogma durante todo o processo. Ele é o criador mitológico do Ogham, a chave do conhecimento e a habilidade de unir e a sabedoria das árvores em símbolos capazes de fazer a comunicação entre os mundos provém dele. O objetivo não é pedir, apenas honrá-lo, ele é o mestre artesão e sábio que revelou o conhecimento desta escrita sagrada. E, obviamente, deve-se continuar a fazer oferendas a ele após terminado o exercício.

O exercício propriamente dito se divide em quatro partes que se repetem para cada símbolo do Ogham:

1 – Início

De acordo com sua preferência, em um local em que se sinta confortável e tenha possibilidade de estar só, faça a oferenda a Ogma, a divindade que, no mito céltico, criou o Ogham. Conecte-se com a força criadora e inspiradora que ele representa, e harmonizando-se com sua sabedoria e tentando aguçar sua intuição.

Quando estiver preparado, de forma aleatória, retire uma peça de seu Ogham e a separe. Veja qual peça é, qual é a árvore que a representa e faça um breve estudo sobre esta árvore, atentando para sua forma, suas características principais, suas folhas e casca, galhos e sementes, suas flores e frutos, o ecossistema em que habita e como ela se relaciona com o ambiente e outros indivíduos do local que vive.

Este processo deve ser realizado no primeiro dia. A intensão aqui é estudar a árvore, o pássaro e a arte ligados a cada Ogham, não tente buscar significados, deixe para fazer isso no último dia de cada símbolo.

2 – Árvore

Após ter estudado a árvore relacionada ao Ogham retirado no dia anterior, você irá iniciar o processo de conexão, que consiste em transmutar-se em espírito na semente da árvore que está estudando, que depois de ir ao chão brota e cresce, desenvolvendo-se interagindo com o ambiente ao redor, floresce, frutifica, se reproduz e envelhece. É normal que nos primeiros dias não haja muita complexidade de elementos e ao longo dos demais dias mais detalhes sejam incorporados. O importante nesta fase é tentar perceber e sentir como a árvore se desenvolve e qual é sua importância para o meio ao seu redor. A curiosidade e a intuição são os guias para atingir um grau de transferência de fato, pois a cada dia uma complexidade de informação maiores podem ser acrescentadas e apreendidas fortalecendo cada vez mais a conexão entre você e a árvore.

Tente interiorizar os elementos mais importantes desta planta (por exemplo, abundância, flexibilidade, dureza. Etc…) assim como o que mais se relaciona a ela. Este exercício será realizado por três dias, ou seja, do segundo ao quarto dia, sendo que o último dia desta etapa deverá ser dedicada a um momento de transição entre esta e a próxima, iniciando a interação do pássaro relacionado ao Ogham estudado com esta árvore.

3 – Pássaro

Após terminar a etapa do exercício que concerne à árvore, é hora de transferirmos nossa percepção e consciência para o pássaro relacionado ao Ogham que estamos estudando. Para isso, é importante que o último dia da etapa anterior, e o primeiro desta, sejam um momento de transição, onde o pássaro chega à árvore. Uma forma de facilitar essa interação é a criação de um elo ente pássaro e árvore a medida que o pássaro faz um ninho na árvore que contém a sua essência, e que após a postura dos ovos, você transfere sua consciência para um destes.

Renasça como este pássaro, e busque entender como ele vive e se relaciona com o ambiente ao seu redor. Aprenda como ele se desenvolve e qual é a sua importância para o meio, como interage em relação ao macro e ao micro ambiente. Novamente, tente interiorizar os elementos mais importantes desta ave, assim como você havia feito com a árvore.

Esta etapa também deve ser realizada por 3 dias, sendo o último dia novamente um período de transição, no qual você deverá propiciar de alguma forma a aproximação e interação do pássaro (ou do salmão) com os homens que são especialistas na profissão relacionada ao Ogham que você estuda no momento.

4 – Sociedade

Nesta última etapa do exercício, você irá incorporar os elementos relacionados à arte representada pelo Ogham que está estudando no momento. Para isso, dedique o último dia da etapa anterior e o primeiro desta para promover a interação entre o pássaro/salmão e o homem/mulher, à qual você irá transferir sua consciência. Você pode observar por um tempo o trabalho da pessoa produzindo sua arte e, em seguida lançar sua consciência até ela, você pode ser caçado e ingerido, ou qualquer outra forma que lhe pareça natural para esta interação.

Durante esta etapa, procure entender como esta profissão é importante para a sociedade céltica antiga, como ela altera os meios de vida, e como ela é desenvolvida. Procure atentar para a relação que ela possa ter com a ave e com a árvore ligadas ao Ogham à qual esta arte está vinculada.

Esta etapa será a última realizada para cada símbolo do Ogham, também por três dias, portanto, ao final dos quais você iniciará o processo novamente, com um novo símbolo de Ogham também escolhido aleatoriamente entre os ainda não estudados.

Para as correspondências de símbolos, árvores, pássaros e arte consultar as tabelas de associações do Auraicept Na nÉces: