Por Erik Wroblewski

English version

RESUMO: Embora os estudos em relação às populações célticas tenham avançado muito ao longo das últimas décadas, continuamos ainda sob a influência de muitos pressupostos e equívocos gerados, em sua grande maioria, tanto por uma aparente falta de preocupação em localizar os trabalhos dos eruditos do séc. XVIII e XIX em seus devidos contextos, quanto pela dificuldade em acessar o material bibliográfico e documental referente a este estudo dentro de uma realidade brasileira visto que, em sua esmagadora maioria, estas obras encontram-se em língua estrangeira e são nos acessíveis apenas através de importação. Neste sentido, este artigo procurará, de forma breve, trazer ao leitor algumas das discussões correntes na academia sobre quem foram “os celtas”, assim como as bases disciplinares para o estudo destas populações.

 PALAVRAS-CHAVE: Celtas; Metodologias de Estudo.

 Quem e o que eram os “Celtas” E onde eles viviam?[1]

Voltar o olhar para o passado e indagar-se como as pessoas de outro tempo viviam, quais eram suas preocupações e desejos, e de que forma percebiam a si mesmas e ao mundo ao seu redor é sempre um processo complicado e perigoso, ao passo que tanto quanto mais tentamos encontrar uma resposta que nos pareça agradável e plausível, mais facilmente podemos cair nas armadilhas de nossos próprios anseios, inferindo às nossas reflexões perspectivas anacrônicas, pelas quais selecionamos, para o nosso estudo, aqueles elementos que corroboram perspectivas pessoais, ao invés de olharmos justamente para aqueles que nos causam confusão, colocando de lado tudo o que traz estranhamento e privilegiando apenas o que é fácil e seguro.

É certo que este tema é um problema recorrente na carreira de todo historiador, mas de certa forma têm sido um processo mais ou menos comum, e que veio a se tornar algo um tanto característico ao longo da trajetória dos “estudos célticos”, surgidos durante o século XIX. Impulsionados por uma enorme diversidade de interesses, os quais em sua maioria nem sempre foram norteados pelo desejo ou necessidade de uma coerência científica, e quase sempre ligados a ideários políticos ou econômicos bem claros, encontram-se na necessidade urgente de uma profunda revisão e, consequentemente, de novas perspectivas.

Isto não significa, no entanto, que não existam estudos sérios sobre a cultura e a civilização daqueles que chamamos “povos célticos”. Pelo contrário: assistimos, desde o início da década de 1980, uma crescente preocupação em preencher a imensa lacuna que foi deixada pela historiografia no que se refere a este tema e, mais importante, passamos contar com uma enorme variedade de estudos que surgiram orientados por uma necessidade de vislumbrar a história e a cultura destes povos através das fontes que eles mesmos nos legaram, deixando um pouco de lado a ótica “emprestada” dos autores Clássicos, e olhando para este passado na busca de uma nova percepção, até então desconhecida pela historiografia “tradicional”.

Estas perspectivas, entretanto, requerem do pesquisador alguns esforços “inéditos”, na medida em que seus referenciais teóricos, embora antigos em alguns casos, vêm sendo articulados apenas muito recentemente a fim de privilegiar o “tema céltico”, isto no decorrer das últimas duas ou três décadas. Esforços que, sobretudo, requerem do pesquisador um conhecimento de caráter heurístico e interdisciplinar, uma vez que, ao menos no presente momento, as bases teóricas de uma única disciplina se mostram insuficientes para dar conta, somente elas, de explicar toda a riqueza e diversidade desta “civilização”, conforme discutiremos mais adiante neste trabalho.

Retornando às questões suscitadas acima, nos deparamos com o primeiro grande problema referente ao nosso recorte, sendo ele de ordem semântica: os próprios termos que designam estas populações (“celta”, “céltica”) são, de certa forma, vagos e compreendem inúmeros equívocos e generalizações de autores Românticos e da Antiguidade, tanto quanto daqueles que são nossos contemporâneos[2]. A primeira referência ao termo, “Keltoi”, é encontrada em Heródoto, que o usa para descrever uma população específica, a qual habitava a região da atual Bélgica, sendo mais tarde expandido e utilizado tanto por gregos quanto por romanos, através dos quais, por seus relatos, chegaram a nós.

É, no entanto e, sobretudo, uma invenção mais moderna do que antiga, uma vez que, embora houvesse uma utilização mais genérica do termo, sabemos que havia a preocupação, dos historiadores da Antiguidade, em precisar com exatidão as populações dentro e fora de seus próprios territórios. O maior exemplo desta perspectiva pode ser exemplificada por Julius Caesar, em seu Bello Gallico, no qual, entre outras coisas, o general romano ocupa-se de realizar um “trabalho etnográfico” extensivo, através do qual procura apresentar as populações com as quais entra em contato por denominações étnicas e “regionais”, de acordo com características específicas, identificando estas populações como aliadas ou inimigas de Roma, e precisando como e onde elas poderiam vir a integrar o corpo estatal romano[3].

Sendo assim, o que, por sua vez, significa o vocábulo “celta”? Esta definição tem sido alvo de muitos questionamentos, inclusive de como e quando aplicar a denominação: o termo celta designaria uma etnia, enquanto as outras denominações (bretões, gauleses, etc…) qualificariam apenas povos distintos? A resposta não é fácil e talvez, nem seja possível. A própria significação é de acesso quase exclusivo de uma elite acadêmica, fora da qual é praticamente impossível distinguir, nas línguas modernas de origem latina, a presença ou identificação da distinção entre o termo celta – substantivo com valor étnico – e céltico – adjetivo com valor linguístico e cultural[4].

No entanto, Peter S. Wells, em seu artigo “Who, Where, and What Were the Celts?”, nos oferece um bom ponto de partida para compreender sentido e conteúdo do termo:

The words “Celt” and “Celtic” can mean many different things. In the fields of archeology and history, “the Celts” usually refers to the prehistoric Iron Age peoples of Continental Europe and the British Isles. But the adjective “Celtic” is most often used in a different way, to designate medieval, early modern and modern traditions, including myths, legends, music, and craftwork in metal and textiles, especially in Ireland, Wales, and Scotland, but also in Brittany and anywhere that styles and practices from those regions have been transplanted. “Celtic” is also a linguistic term that refers to ancient languages such Gaulish and Old Irish, and to modern ones of the same family, including Irish Gaelic, Scottish Gaelic, Welsh and Breton. These different meanings of Celt and Celtic are related to one another, but they are distinct and should not be confused[5].

Outra questão de suma importância, que também se refere a uma preocupação sobre as definições, traduz-se na escolha das fontes e bibliografia. Já desconsiderando as centenas de volumes de caráter pseudo-histórico, esotérico e/ou preconceituoso e que empregam os termos “celta” e “céltico” em seus títulos, quais são nossas opções em relação às fontes e ao referencial teórico? Neste passo, nos encontramos com uma decisão difícil: por um lado temos quase uma contraposição das fontes da Antiguidade Clássica em relação às fontes arqueológicas de origem propriamente céltica, uma vez que a principal característica das primeiras é o emprego da escrita, e o das segundas, a ausência dela.

Encontramo-nos na mesma situação em relação às fontes literárias medievais, de origem “céltica”: embora tenham sido elaboradas através de uma tradição literária e religiosa verdadeiramente céltica, foram reescritas e transformadas ao longo de quase dez séculos por redatores cujas filiações cultural e religiosa eram, respectivamente, latinas e cristãs. Por fim, nos encontramos com mais um grande problema de ordem estrutural e teórica em relação às fontes literárias: a grande maioria foi “redescoberta” ao longo do séc. XIX, tanto pelo movimento literário romântico do Celtic Revival, quanto por “historiadores oficiais” ligados ao processo de expansão colonialista inglesa, o que nos legou versões muito difundidas destas fontes, impregnadas de sentimentos romantizados e nacionalistas da Era Vitoriana.

Em relação à historiografia propriamente dita, temos uma preocupação semelhante. O séc. XIX foi famoso, a exemplo do que nos mostram historiadores como Hobsbawn, tanto pela invenção de tradições[6], quanto por buscar justificativas várias que explicassem a necessidade de que outras culturas fossem “civilizadas” pelo europeu, atendendo aos “projetos colonialistas” e à expansão de mercados, um “sentimento” que tomou toda a Europa durante este período.

No caso específico dos “celtas” encontramos, sobretudo, o ideal romantizado do gaulês entre os franceses, especialmente na figura do herói Vercingentorix, “unificador dos celtas”, contra o Império Romano, como forma criar uma “identidade nacional” capaz de fazer frente às incursões políticas e territoriais daquilo que viria a se tornar a “Alemanha nazista[7]”, e também entre os ingleses que, colocando-se como os “sucessores de Roma na tarefa de civilizar os bárbaros”, empreenderam extensivas conclusões sobre como a presença romana havia moldado o caráter céltico dos antepassados dos ingleses, a fim de refletir na Inglaterra Vitoriana a imagem do ápice da civilização ocidental[8], na figura do inglês que, como a Rainha Boudicea jamais se rendia e que, no entanto, como o Imperador Adriano, conteve com sua muralha o avanço das hordas de pictos e finalmente trouxe a civilização à Bretanha.

Frente a todas estas questões, gostaríamos de precisar que nossa postura é, antes de tudo, não a de descartar qualquer documento que seja, mas sim a de realizar, na medida da necessidade dentro de nosso recorte e de nossa pesquisa, uma profunda análise do mesmo a fim de identificar em que medida este documento nos é útil, e o que pode ser revelado através dele.

Obviamente, somos norteados pela necessidade de limitar nossas fontes e nossos referenciais a fim de empreender um estudo coerente, mas esta seleção ocorre levando-se em conta as características do documento e sua relevância ao nosso estudo, e não posições políticas, sociais ou culturais definidas a priori, nem a necessidade de encontrar, nos documentos, algo que venha a tornar nosso estudo algo de caráter decisivo, rígido e estático; nossa principal preocupação, neste trabalho, é de caráter científico, através do qual nos propomos a responder algumas questões, mas também a suscitar muitas outras.

Por fim, restam duas outras perguntas: onde viviam os “celtas”, e o que os caracterizava como tal?

Se existe uma noção vaga para a maior parte dos europeus contemporâneos, no caso de não a ignorarem por completo, é a de <<celta>>. A definição é urgente: <<quem são os Celtas?>> Como, através de que meio e segundo que critério podem ser identificados? Enfrentamos, então, o problema, bastante moderno, do conceito de nacionalidade. Foi uma nacionalidade que eles constituíram ou quiseram constituir, através da utilização da língua, ou trata-se de um nome herdado de um passado longínquo? Ou constituirão eles ainda uma nacionalidade quando, por vezes, queriam deixar de a constituir?

Os Helvécios, que se tornaram Suíços, continuam a ser Celtas quando falam alemão ou francês? E, se assim é, são-no mais ou menos, se não de facto pelo menos de direito, que os Irlandeses de Dublim, que já não falam o gaélico, ou que os bretões da Alta-Bretanha, que falam o românico há dois séculos? No primeiro caso, agrupamos quase toda a Europa, da Baviera à Boémia ou da Bélgica à Itália do Norte; no segundo caso, a imensa maioria dos Irlandeses e dos Escoceses é constituída apenas por anglófonos, sem qualquer originalidade, e só restam Celtas em algumas regiões recuadas do Kerry ou do Donegal.[9]

A questão, e a resposta oferecida pelos historiadores franceses, embora formuladas sobre um critério pouco usual e um tanto anacrônico, nos oferece, ao menos, o tamanho da complexidade e talvez inviabilidade da tarefa que é classificar e categorizar onde viviam os celtas, e quais características os definiam como tal. Uma outra tentativa, e conseqüente questionamento, podem ser vistos na seguinte passagem:

On the basis of Herodoto’s information that the people on the upper Danube were Celts, archeologists have linked them with the Iron Age material culture known as La Tène… For over a century, pre-historians have used this connection between the Celts named by the fifth-century B.C. Greek authors and Iron Age archeology to designate as Celts all of the communities in greater central Europe that used similar jewelry, weapons, pottery and burial practices. The assumption has been made that every place where material culture ornamented in the La Tène style is found was inhabited by Celts… But the principal problem with this traditional approach is that neither Herodotos nor any of the other ancient writers until Caesar and Strabo in the final century B.C. name any other peoples in this region of temperate Europe.[10]

Desta forma, e a despeito da dificuldade já evidenciada pela aproximação arqueológica em relação a este problema, ainda podemos levantar outras questões: serão “celtas”, então, as populações que perderam sua “independência” em relação aos romanos na Antiguidade? E, além disso, o continuarão a ser depois de terem se convertido ao cristianismo, processo este que se seguiu inexoravelmente à assimilação destas populações pelo “imperium” da língua latina ou pelas “Invasões Germânicas” desde o séc. IV?

Estas respostas jamais serão claras: ao passo que a cultura material, política e religiosa do “dominado” se modificam, aceitando elementos estranhos à sua realidade inicial e acomodando-se às novas condições impostas pelo “dominador”, este também será profundamente modificado pelo “subjugado”, aceitando tantos outros elementos estranhos a si mesmos, provindos do contato, ou seja, as mudanças ocorrem nos dois sentidos, e o que assistimos, antes de ser a extinção de uma ou outra cultura, é a criação de um híbrido de ambas, em diversas esferas sociais[11].

Pois, se existem rupturas, também existem permanências, e são exatamente estas que merecem ser levadas em conta, e muitas vezes é justamente o que é omitido, suprimido ou alterado que traz algum tipo de revelação em relação aos questionamentos do pesquisador. Se a Irlanda do séc. VII não está mais fundamentada em torno de um esquema que aceita a autoridade sacerdotal do Druida[12], que foi substituído pelo sacerdote cristão, este continua a existir como sábio, como bardo, como guardião das tradições familiares e jurídicas entre os reis e suas cortes até pelo menos o séc. XVI[13]. O mesmo é verdadeiro para os ideais de nobreza, realeza e interação social[14], que permanecerão profundamente ligados a modelos ideológicos e jurídicos pré-cristãos e praticamente inalterados estruturalmente até meados deste mesmo século[15].

Sendo assim, podemos admitir apenas uma parcela ou faceta dentre tantas nesta miríade de significações que podem representar estes termos, “celta” e “céltico”? Não vemos, no presente momento, uma forma diferente de proceder em relação a este campo de estudo: não resta outra alternativa, mesmo levando em conta todos os ricos de tal escolha, senão colocar em uma posição de relatividade o uso de tais termos, relatividade esta condicionada a contextos espaciais e temporais muito bem localizados dentro de uma pesquisa.

Como exemplo, podemos aceitar como sendo “céltico” o Irlandês Antigo e a tradição literária de fundo pré-cristão elaborada nesta língua, em oposição à tradição literária, eclesiástica e vernacular de língua latina dentro do recorte espaço-temporal da Irlanda Tardo-Antiga, sendo os valores sociais e políticos instituídos através de recolhas jurídicas, que mantiveram e regulamentaram a estrutura legal dos reinos irlandeses e cuja elaboração era anterior à conversão da Irlanda ao cristianismo, uma vez que a manutenção de ideais que sobreviveram a este processo de conversão serão alvos constantes da preocupação da ortodoxia da igreja católica.

No entanto, essa “valoração de celticidade” é válida somente para este caso específico, e não se emprega, por exemplo, à Gália Romana ou pré-romana, assim como não é suscetível de dar conta do conjunto de especificidades que dizem respeito à “expansão céltica” iniciada por volta do séc. IV a.C, que conduziu estas populações por toda a Europa até a Ásia. Sendo assim, o que propomos é que não devemos descartar as classificações das diversas disciplinas que se preocupam com o tema, mas sim, dentro de cada uma delas, procurar compreender os referenciais que nos possibilitem determinar o que constitui uma “civilização céltica” em relação a seus valores culturais, sociais e políticos, sobretudo do ponto de vista “tradicional”[16].

Ou seja, buscar privilegiar um olhar sobre um modelo pré-romano e pré-cristão que, entendido em sua relação de oposição ou conformação à implementação da nova ordem social ou religiosa trazida pelos processos de dominação ou de conversão seja capaz de compreender como o conjunto de instituições culturais, sociais e políticas serão afetados, trazendo os reflexos, paradoxos, permanências e rupturas que podem, em certa medida, nos dizer algo sobre aquele tempo e sobre as pessoas que nele viviam.


[1] Título originalmente apresentado em WELLS, Peter S. “Who, Where, and What Were the Celts?” American Journal of Archeology, Vol. 102, Nº 4, 1998, p. 814-816.

[2] LE ROUX, Françoise e GUYONVARC’H, Crhristian-J. A Civilização Celta. Mem Martins, 1999. p. 16

[3] CAESAR, Caius Julius. “De Bello Gallico” and Other Commentaries. Project Gutenberg, 2004 – http://www.gutenberg.org/etext/10657. Último acesso em 05 maio 2008.

[4] LE ROUX, Françoise e GUYONVARC’H, Crhristian-J. A Civilização Celta. Mem Martins, 1999. p. 16

[5] ‘As palavras “Celta” e “Céltico” podem significar muitas coisas diferentes.  Nos campos da arqueologia e da história, “os Celtas” usualmente se referem às pessoas pré-históricas da Idade do Ferro na Europa Continental e nas Ilhas Britânicas. Mas o adjetivo “Céltico” é comumente usado de forma diferente, para designar tradições medievais, modernas e contemporâneas, incluindo mitos, lendas, música e artesanato em metal e têxteis, especialmente na Irlanda, Gales, e Escócia, mas também na Bretanha e em qualquer lugar para onde os estilos e práticas destas regiões tenham sido transplantados. “Céltico” é também um termo lingüístico que se refere a línguas antigas como o Gaulês e Irlandês Antigo, e também a línguas modernas da mesma família, incluindo o Gaélico Irlandês, Gaélico Escocês, Galês e o Bretão. Estes diferentes significados de Celta e Céltico estão relacionados entre si, mas eles são distintos e não devem ser confundidos’. WELLS, Peter S. “Who, Where, and What Were the Celts?” Londres, 1998, p. 814.

[6] HOBSBAWM, Eric e RANGER, Terence. A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro, 1984.

[7] DIETLER, Michael. Our Ancestors, the Gauls: Archeology, Ethnic Nationalism, and the Manipulation of Celtic Identity in Modern Europe. American Anthropologist, vol. 96, nº3, 1994. p. 584-605.

[8] O’BRIAN, Jhon. Assimilation Theory and Celtic Ethnicity. Current Anthropology. Vol.23, Nº 2, 1982. p. 196 em http://www.jstor.org/stable/2742359

[9] LE ROUX, Françoise e GUYONVARC’H, Crhuistian-J. A Civilização Celta. Mem Martins, 1999. p. 15.

[10] . WELLS, Peter S. “Who, Where, and What Were the Celts?” Londres, 1998, p. 815.

[11] Alguns autores, a exemplo de CHARTIER, FINLEY, LE GOFF, MOMIGLIANO, e WEBSTER mostram, de forma emblemática, como estes processos se desenvolvem diferentes recortes, abrindo uma ampla perspectiva de estudo e compreensão, em suas respectivas obras: CHARTIER, Roger. A História Cultural entre Práticas e Representações. Lisboa: Bertrand, 1990; FINLEY, Moses. Ancient History Evidence and Models. London: Chatto and Windus, 1985; LE GOFF, Jacques. O maravilhoso e o cristianismo no ocidente medieval. Lisboa: Edições 70, 1966; MOMIGLIANO, Arnaldo. Os limites da helenização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989; WEBSTER, Jane. Roman Imperialism: post-colonial perspective. Leicester: University of Leicester, 1996.

[12] LE ROUX, Françoise e GUYONVARC’H, Crhuistian-J. A Sociedade Celta. Mem Martins, 1995. p.

[13] HERBERT, Maire. ‘Rí Éirinn, Rí Alban, kingship and identity in the ninth and tenth centuries’. Em TAYLOR, S. (Editor) Kings, clerics and chronicles in Scotland. Dublin, 2000. p. 62-72

[14] SIMMS, Katharine. Images of Warfare in Bardic Poetry. Celtica vol.21. Dublin, 1990. p.608

[15] KELLY, Fergus. A Guide to Early Irish Law. Dublin, 1988.

[16] Precisamos esclarecer aqui que, por “tradicional”, deve-se entender a estrutura social, política e religiosa daquelas sociedades cujas bases residem na repetição de seus mitos, sobretudo os de criação, os quais não foram ainda racionalizados e laicizados, e cuja transmissão das tradições reside em atos rituais de estrutura ahistórica, conforme nos demonstram ELIADE, Mircea e CRIPPA, Adolpho, em suas obras Aspectos do Mito. Lisboa, 1989; e Mito e Cultura. São Paulo, 1975, respectivamente.