Por Erik Wroblewski

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Existe, atualmente, muita confusão em respeito aqueles povos aos quais convencionou-se chamar de “Celtas”. Em grande parte, esses equívocos e incorreções se devem às romantizações advindas dos movimentos de construção nacional de “países” europeus durante o final do séc. XVIII e durante todo o séc. XIX. Naquela época, havia uma necessidade de se realizar uma unificação não somente política e militar, mas também cultural, trazendo uma ideia de pertença regional que fosse capaz de superar as diferenças que afastavam as diversas populações que compunham o povo destes países, e criando aquilo a que chamamos hoje de “Identidades Nacionais”.

Esses movimentos político-sociais foram muito importantes para a afirmação do poder o do status quo em países como a Inglaterra, França e Alemanha e, em maior ou menor grau, essa necessidade de afirmação nacional e de superioridade, aliada à fragilidade econômica da Europa nesse período, foram responsáveis por eventos que mudaram todo o planeta, como a Primeira e Segunda Guerra Mundial.

Dentro desta perspectiva de construção de identidades nacionais, a “elite cultural”, dirigida por interesses econômicos e políticos, procurava, através de diversos argumentos, encontrar formas de mostrar às massas como sua origem era importante, como estavam ali fixados, naquelas regiões desde tempos imemoriais, e como o sangue “bárbaro”, aliado à “superioridade” da herança romana, compunham a “argamassa” que uniria as pessoas em uma construção inquebrável.

Mas como dissemos antes, estes argumentos não se pautavam em pesquisa “sérias” (como entendemos uma pesquisa hoje), mas sim em seleções criteriosas de fontes e artefatos que corroborassem as necessidade das elites dirigentes. Aliado a isso, ainda, temos a adoção fervorosa de alguns destes elementos “forjados” por camadas da população que, consciente ou inconscientemente se valiam deles para afirmar uma suposta origem “nobre”, para justificar posições, ou para tirar proveito.

E, no que se refere aos “Celtas”, temos uma infinidade de construções deste tipo, de romantizações literárias, de invenções pseudo-religiosas. Dessa forma, tivemos, neste breve artigo publicado pela Revista Vernáculo, da Universidade Federal do Paraná, a intenção de esclarecer, de forma sucinta e objetiva, um pouco destas populações tão ricas e diversas às quais hoje chamamos apenas de “Celtas”.

Texto integral em PDF:

WROBLEWSKI, Erik. Noções básicas e primeiros passos: “Os Celtas”.Revista Vernáculo, n. 17 e 18, 2006