*Artigo publicado no Guia de Druidismo pelo Portal Druidismo sob o título ‘Vida e Morte’.

por Énbarr MacManannán

“Alguns temas-chave nas crenças celtas incluem o conceito de um Outro Mundo familiar ligado aos mortos, que possivelmente tornar-se-iam ancestrais e, possivelmente, tornar-se-iam associados com os deuses. Isso pode ser refletido na prática de fornecimento de bens mortuários, o uso de objetos que simbolizam as relações sociais de poder e autoridade neste mundo estão muito provavelmente indicando que essas relações resultavam em legitimidade por estarem ligadas ao Outro Mundo. A crença em um Outro Mundo para o qual os mortos vão, também possui outra ramificação na prática. Muitas sociedades Celtas diferenciavam as pessoas de acordo com os preceitos sociais e religiosos, e o acesso ao Outro Mundo era baseado nesses preceitos. A elite era enviada para o Outro Mundo com seus símbolos de poder mundano, o Celta comum ia como uma alma comum, mas o Celta anormal era tratado de maneira muito diferente, como se para evitar que a alma anormal poluísse o Outro Mundo e comprometesse a relação da sociedade com a Outro Mundo.”
Gerald A. Wait em The Celtic World (tradução pela autora)

Vida e morte sempre foram conceitos que se interconectaram, na maioria das culturas da antiguidade, e com os Celtas esta interação não só é visível como algo intensamente profundo, pois os mundos natural e supernatural eram muito próximos, chegando a se fundirem em certas ocasiões. O festival de Samhain[1] é o ápice dessa interação, pois, nele, os mundos se tornam totalmente acessíveis, sendo possível que os vivos e os mortos, assim como seres do Outro Mundo em geral, se desloquem entre eles com incrível facilidade, o que não quer dizer que não aconteça fora desta época, mas, que nela se torna particularmente propício, já que o dia de Samhain é considerado um dia fora do tempo, em que os mundos se conectam e os tempos passado e presente, mitológico e humano, podem se tocar. Ser um Druida[2] é compreender estes conceitos como inseparáveis e naturalmente influenciáveis mutuamente.

­­Quando falamos em Druidas, falamos necessariamente de Celtas, mas, uma coisa que é imprescindível ao entendimento do que eles foram e do que é hoje a revitalização e reconstrução da religião “Druídica” é o fato do termo Celta não ser a designação de uma nação, mas de uma etnia[3]. Isso significa que os Celtas não eram um povo no sentido moderno da palavra, eles tinham sim, algumas características culturais e técnicas em comum, além de falarem uma língua de mesma raiz linguística, mas podiam ser totalmente diferentes em outros aspectos, pois eram povos autônomos, com estruturas de poder tribal e sociedade própria. Isso tudo é importante saber por que influenciou a religião Céltica do passado e influencia hoje as formas de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, pois já que não havia homogeneidade nas tribos, também não há indícios de uma homogeneidade nas religiões Druídicas, ou seja, a visão de um Druidista que se dedica ao panteão Gaulês, não só pode como na maioria das vezes, é, bem diferente da visão de um que se dedica ao panteão Gaélico, Galês e assim por diante, e estes também diferem entre si.

Então, não podemos pensar em termos de um Druidismo ou Reconstrucionismo Celta, mas em vários, talvez tantos quanto foram as tribos Celtas.  Todavia, existem alguns relatos e passagens mitológicas que revelam uma boa interação entre os Druidas antigos, muitas vezes, uns indo aprender técnicas e saberes com outros em territórios distantes.  Entretanto, embora saibamos que havia grandes diferenças entre eles, o que nos restou para tentar reconstruir a religião a qual nos dedicamos é fragmentado e parcial, por isso, eventualmente, todos nós recorremos a fontes históricas e relatos gregos e romanos relacionados a outros povos Célticos para poder preencher as brechas que o conhecimento local de cada região não é capaz de preencher, utilizando-os para completar as lacunas que não são abordadas na mitologia ou que são insuficientes em evidências arqueológicas.

Contudo, embora esta diversidade seja bem atestada, assim como os aspectos linguísticos e culturais que os unem como etnia, alguns aspectos religiosos também são similares nas formas que se apresentavam na antiguidade e muito mais na modernidade, já que todos precisamos recriar um contexto coeso a partir dos retalhos que temos. Sendo assim, o primeiro elemento que temos para pensar o mundo Celta e a religião dos Druidas é a questão tribal. O centro do poder estava muito próximo da população em geral e era indissociável do poder religioso, já que a classe Sacerdotal Druídica era responsável por aconselhar os soberanos, criar, julgar e fazer cumprir as leis assim como fiscalizar o bom funcionamento de um reinado, entre outras coisas, além do próprio papel ritual e religioso.

Saber quem eram os Celtas e os Druidas originais, aqueles que viveram a mais ­­de 2.000 anos atrás, não é uma tarefa fácil, os melhores fragmentos que temos não são cegamente aceitáveis, precisam de um olhar crítico e uma boa dose de bom senso para fazerem sentido e revelarem os povos por detrás deles, mas formam um mosaico rico e deslumbrante quando se reconhece as pequenas verdades escondidas em seus pedaços. Não é possível entender o que é ser um “Druida moderno”, sem buscar no passado quem foram os antigos Druidas, pois é ai que nossas raízes se firmam e aprofundam, buscando conhecimento e virtudes como honra, hospitalidade, fidelidade, justiça, coragem, sabedoria, camaradagem, respeito e responsabilidade.

Assim, após olharmos para trás e termos uma vaga ideia quem eram os Druidas no auge do esplendor das culturas Celtas, podemos começar a nos ater ao presente e começar a descobrir quem são os “Druidas modernos” e o que aprendemos com o conhecimento do passado e como o aplicamos no presente.

É notório que algumas das práticas Druídicas originais foram abandonadas por nós, pois não são aceitáveis mais à nossa cultura e/ou não nos sentiríamos confortáveis em fazê-los, como por exemplo: sacrifícios de qualquer tipo de vida. Devemos notar que esta não é uma simples alteração, pois, de fato, muito da função de sacerdote dos druidas era ligada a estes sacrifícios e à leitura de augúrios através deles, mas se lembrarmos de que a classe dos Druidas era também formada por legisladores faz todo o sentido que nossas leis pessoais de conduta alterem nossos ritos de acordo com os tempos e leis em que vivemos, alterando aquilo que feriria as normas de conduta e nossa própria consciência dentro da nossa cultura contemporânea.

Também temos algumas alterações que são bem mais sutis e às vezes até confusas em relação aos Druidas antigos, que é o modo de ver a natureza, pois por mais que se diga que os Druidas tinham um grande conhecimento a respeito do meio ambiente e da vegetação que os cercavam e que reconhecessem sacralidade das plantas e animais, o mundo e o contexto em que viviam eram muito diferentes do nosso. Hoje esse conhecimento natural e o reconhecimento da natureza como parte do sagrado, dotada de vida e saber, nos leva a conceitos como ecologia, modos de vida de baixo impacto no meio ambiente, consumo consciente e uma gama de outros tipos de atitude que há 2.000 anos seriam impensáveis, pois simplesmente estes problemas não existiam, não havia plástico, nem isopor, nem poluição de carros ou derrubadas de florestas inteiras para grandes empreendimentos imobiliários. A grande maioria de nós “Druidas modernos” e Reconstrucionistas Celtas não só tenta modificar e melhorar sua própria conduta de relação com a natureza como tenta influenciar o seu entorno, tentando reparar a relação do ser humano com o meio ambiente. Se olharmos pelo ponto de vista da importância da relação de equilíbrio entre os mundos natural/humano/supernatural, essa promoção do bem estar entre os mudos era uma atribuição sacerdotal dos antigos Druidas que nós também herdamos, mas, assim como o mundo se modificou, também nossa forma de agir e gerar esse reparo se alterou, se tornando compatível com os nossos tempos.

Algo fundamental ao se pensar no que significa, de fato, ser um Druida é esta ideia de equilíbrio. Se algumas das práticas tiveram que ser alteradas e outras tantas recriadas para se ajustarem aos nossos tempos, é preciso ter em mente que a essência deve se manter a mesma. A classe sacerdotal dos Druidas, considerando que esta classe englobava vários tipos de ofícios diferentes, era responsável pelo equilíbrio da sociedade em diversos níveis. O primeiro deles era o espiritual, pois eram eles os conhecedores das técnicas, ritos e oráculos, que propiciavam o contato direto com as divindades e seres sagrados em geral, como ancestrais e espíritos naturais ou do Outro Mundo. Embora a divisão entre os mundos não fosse algo profundo e a mitologia e o folclore nos mostrem que era possível e até comum que não-Druidas pudessem fazer contato com as divindades e demais seres sagrados, estes contatos eram, geralmente, casuais e nem sempre benéficos, ao passo que o conhecimento espiritual dos Druidas era capaz de gerar uma interação favorável, sem o perigo de desentendimentos entre as partes.

Eles também eram responsáveis pelo equilíbrio do mundo social com o mundo divino, através dos ritos de oferendas e sacrifícios, das interpretações dos augúrios e da manutenção e fiscalização da interação entre este e o Outro Mundo. Julius Caesar afirma que a interdição[5] a assistir aos sacrifícios era a mais pesada punição que os Druidas poderiam dar a um individuo que desobedecesse a suas resoluções legais. É preciso lembrar que, além da necessidade dos romanos de mostrar os Celtas como bárbaros sanguinários e que precisavam ser conquistados, o período em que Caesar descreve isso é exatamente o período de enfrentamento entre Celtas e Romanos, ou seja, um período de instabilidade social, em que atos extremos eram realizados. Isso não quer dizer que sacrifícios não fossem realizados antes, mas que eles se tornaram muito mais frequentes durante a invasão romana. O que importa aqui é perceber que uma sanção legal era vinculada a uma punição religiosa. Não só o mundo natural e supernatural estão conectados no mundo Celta, como o mundo social e divino também. De fato, é possível dizer que a noção moderna de sagrado e profano[6] sequer existe, pois não havia oposição entre estes conceitos. Podemos ver que os atos tomados no mundo social influenciavam diretamente na harmonia com o mundo espiritual, tornando este equilíbrio precário e sua manutenção necessária. O melhor exemplo desta precisão de intervenção entre práticas sociais e religiosas vem das tumbas de alguns indivíduos encontrados enterrados em posição oposta ao normal, sem objetos pessoais ou evidências de ritos funerários, sugerindo que tais indivíduos não receberam o tratamento mortuário necessário, ou ao menos esperado, para que chegassem ao mundo dos mortos, estas quebras de padrão são interpretadas por arqueólogos como um indício de que tais pessoas não eram quistas no Outro Mundo, pois poderiam poluí-lo por alguma razão. Estes casos seriam de indivíduos que cometeram atos de extrema injúria social, que teriam poluído a sociedade com sua desonra e não deveriam adentrar aonde os honrados ancestrais estavam.

A terceira função de equilíbrio era a social. Tendo em vista que a estabilidade entre o mundo humano e supernatural dependia não só das práticas religiosas, mas também das práticas sociais não é de causar estranheza que os Druidas também atuassem diretamente na regulação social, seja através da jurisprudência, do aconselhamento e fiscalização do soberano e da manutenção do saber e normas sociais através da tradição oral.

Visto que, não só o equilíbrio espiritual, mas também o social e o social/espiritual eram partes fundamentais da função Druídica, temos que, hoje, embora os Druidas modernos não tenham o poder social que os Druidas do mundo Céltico, ainda assim, sejamos responsáveis pela sua manutenção, não apenas na forma de oferendas e ritos, mas na forma de ação prática e inspiração social. Isso significa que é parte do sacerdócio de um Druida moderno agir em benefício deste equilíbrio, não só tendo práticas saudáveis de relação com a natureza, condutas morais de honra, lealdade, responsabilidade, hospitalidade, coragem, honestidade e boas condutas sociais, além de não sucumbir ou reproduzir preconceitos e atitudes sociais comuns, mas inadequadas a um bom equilíbrio social e espiritual, sempre tendo em vista os parâmetros religiosos e virtudes já mencionadas. Sobretudo, um Druida deve servir de exemplo, e, ao realizar este papel, inspirar seus contemporâneos e círculos sociais através de suas ações e palavras.

A morte não é antagônica a vida, no mundo Céltico: ao contrário, elas parecem ser complementares. Nos comentários de Caesar, este diz que os druidas professavam que “a alma não morre, e após a morte passam de um corpo a outro”[7], e Diodorus Siculos, afirma que “a crença de Pitágoras prevalece fortemente entre eles, de que a alma dos homens é imortal, e que há a transmigração delas para outros corpos e depois de um certo tempo eles vivem novamente”[8]; isso nos leva a crer que os Celtas acreditavam que as almas voltavam a este mundo passado algum tempo da morte de seu corpo. Analisando a questão da diferenciação de tratamento funeral entre os Celtas e a influência dos mortos no equilíbrio entre Mundos, parece plausível supor que, embora eles acreditass­­­em que uma alma pudesse ter várias vidas, cada indivíduo tinha um papel na manutenção do bem estar entre a sociedade e o sobrenatural, e o valor de honra do indivíduo em cada vida seria o que o definiria como merecedor das honrarias e do lugar de Ancestral na história da sociedade. Assim, independente do número de vidas que uma alma poderia ter, é o mérito de cada uma delas que as qualifica individualmente as benesses do Outro Mundo e consequentemente seu lugar entre os Ancestrais.

Dado o panorama geral de quem eram os antigos Druidas, quem são os Druidas modernos e as crenças ligadas ao Outro Mundo, a morte e a relação dos Druidas antigos e modernos com estes temas, podemos ver o quão complexa é a relação que tentamos estabelecer com o cosmos e a carga de responsabilidade que aceitamos carregar ao nos embrenharmos por esse belo caminho de sabedoria, equilíbrio, inspiração e devoção.

Bibliografia:

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CAESAR, Gaius Julius. Caesar’s Commentaries on the Gallic and Civil Wars: with the Supplementary Books attributed to Hirtius; Including the Alexandrian, African and Spanish Wars. Translator W. A. McDevitte Translator W. S. Bohn. New York: Harper & Brothers, 1869.

CHADWICK, Nora K. The Druids. Cardiff, University of Wales Press, 1997

DALTON, G.F. Kings Dying on Tuesday Folklore vol. 83, nº3 1972

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LE ROUX, Françoise & GUYONVARC’H, Christian‐J. A Civilização Celta. Mem Martins: Publicações Europa América, 1999.

LE ROUX, Françoise & GUYONVARC’H, Christian‐J. A Sociedade Celta na ideologia trifuncional e na tradição religiosa indo-europeia. Mem Martins: Publicações Europa América, Portugal, 1995.

PIGGOT, Stuart. The Druids. Thames and Hudson, New York, 1999

RAFTERY, Barry. Pagan Celtic Ireland: The Enigma of the Irish Iron Age. Thames and Hudson Ltd, London 1998.

ROSS, Anne. Pagan Celtic Britain. Academy Chicago Publishers, Chicago, 1967.

SICULUS, Diodorus. The Historical Library of Diodorus the Sicilian in Fifteen Books. trans. G. Booth. Vol. I & II. London: W. M’Dowall, 1814.

SIMMS, Katharine. Guesting and Feasting in Gaelic Ireland in The Journal of the Royal Society of Antiquaries of Ireland, Vol. 108. Published by Royal Society of Antiquaries of Ireland, 1978. pp. 67-100

 


[1] Este festival indicava o primeiro dia do ano Céltico e era uma das mais importantes festas do calendário deste povo. Sua ocorrência é constante e pontual na mitologia Celta Irlandesa, deixando claro sua crucial significância para a estrutura social e a sua abrangente influência. Segundo nos conta G. F. Dalton em seu artigo para a revista Folklore, Kings Dying on Tuesday, a festa de Samain se estendia por três dias antes e três dias depois do dia de Samain. Esta data marcava o início do inverno e da parte mais crítica do ano em termos de sobrevivência, era um período para criar e fortalecer alianças, assembleias jurídicas e questões políticas, mas também um período singular do ponto de vista religioso, um período que não era contabilizado no calendário, no qual as fogueiras eram apagadas e acesas apenas no dia seguinte, um dia que não pertencia ao tempo social, em que divindades, ancestrais e todo tipo de seres interagiam com os humanos.

[2] O termo “Druida” será utilizado tanto para os antigos Druidas Celtas, como para os “Druidas” modernos, os quais serão diferenciados segundo termos similares aos utilizados aqui, mas apenas porque o termo simplifica explicações e termos demasiado longos. Entretanto é importante notar, que embora o termo seja correntemente utilizado, nem todos os Druidistas se intitulam Druidas, assim como em sua grande parte os Reconstrucionistas Celtas também não utilizam esta denominação para si, embora muitas vezes recorram ao termo para explicar suas crenças e religião de modo geral.

[3] O termo etnia é um conceito antropológico, que abrange uma série de fatores que tornam os indivíduos pertencentes a um grupo étnico capazes de serem entendidos como tal, entre estes fatores estão língua, técnicas de produção, história em comum e cultura material.  Estes fatores são utilizados como referencial principalmente no que diz respeito à antropologia física ou arqueologia, já que é impossível um trabalho etnográfico junto a sociedades arcaicas. Quando falamos em sociedades vivas outros fatores são incorporados, mas estes também devem ser observados, já que identidade étnica pressupõe uma certa similaridade cultural, mesmo que não totalmente homogênea.

[4] ANE significa antes da nossa era, assim como NE significa nossa era. Estes termos vêm sendo utilizados em alguns segmentos acadêmicos como substituição aos AC (antes de Cristo) e DC (depois de Cristo), por entender-se que a ciência deve ser imparcial em termos religiosos e por isso desvinculada a termos que remetam a religiosidades.

[5] “The former are engaged in things sacred, conduct the public and the private sacrifices, and interpret all matters of religion. To these a large number of the young men resort for the purpose of instruction, and they [the Druids] are in great honor among them. For they determine respecting almost all controversies, public and private; and if any crime has been perpetrated, if murder has been committed, if there be any dispute about an inheritance, if any about boundaries, these same persons decide it; they decree rewards and punishments; if any one, either in a private or public capacity, has not submitted to their decision, they interdict him from the sacrifices. This among them is the most heavy punishment. Those who have been thus interdicted are esteemed in the number of the impious and the criminal: all shun them, and avoid their society and conversation, lest they receive some evil from their contact; nor is justice administered to them when seeking it, nor is any dignity bestowed on them.”

 [6] Em O Sagrado e o Profano, Mircea Eliade faz uma distinção entre o Cosmos e o Caos nas sociedades tradicionais, sendo que o Cosmos seria o “nosso mundo”, um universo no interior do qual o sagrado já se manifestou e onde, por consequência, a rotura dos níveis tornou-se possível e se pode repetir”, ao passo que o restante é o Caos, “uma espécie de ‘outro mundo’, um espaço estrangeiro, caótico, povoado por demônios, ‘estranhos’ (equiparados aliás, aos demônios e às almas dos mortos)”.

 [7] They wish to inculcate this as one of their leading tenets, that souls do not become extinct, but pass after death from one body to another, and they think that men by this tenet are in a great degree excited to valor, the fear of death being disregarded.”

[8] “For the opinion of Pythagoras prevails much amongst them, that men’s souls are immortal, and that there is a transmigration of them into other bodies, and after a certain time they live again.”