Por Marina Storino Holderbaum

Sean Mac Airt parece concordar com a visão de Macalister de que o fili, druidas, são apenas aspectos diferentes de um mesmo ofício, que englobaria vários tipos de saber, mas que cada membro da classe de letrados escolheria apenas duas ou três áreas para atuar. Ele afirma que Reis e heróis também tinham a habilidade e conhecimento para rimar, tanto que alguns membros de famílias reais acabaram se tornando fili quando se encontraram em dificuldades políticas. O fili também estaria ligado á jurisprudência, sendo seu interesse nas leis algo muito claro em todos os períodos.

O fili seria uma evolução tardia na classe letrada que provavelmente ocorreu lentamente diante das mudanças sociais que ocorreram principalmente no seio do conhecimento Celta com a chegada do cristianismo e com as invasões nórdicas e normandas. O termo “poeta” seria uma denominação errônea, pois a descrição de seu aprendizado e a função que lhe é atribuída indica que ele seria uma “testemunha histórica” do conhecimento genealógico e familiar, sendo sua memória aceita como substituto ás inscrições tradicionais do Ogam, feitos em pedras.

Segundo o autor, o fili tinha o dever de saber recitar os contos como ilustração do seu saber genealógico e do conhecimento dos procedimentos legais tradicionais, mas sua função tinha muito mais a ver com o aspecto histórico, quanto ao entretenimento do rei e seus convidados haveria vários tipos de ofícios, como o de bufão real, que atenderiam perfeitamente às necessidades. Outro aspecto importante do trabalho do fili enquanto classe letrada, e detentora do conhecimento histórico, seria a de um tipo de editor literário, que acabou por prover o instrumento base para os literários eclesiásticos, que consideravam os relatos tradicionais como um material “cru” a serem transcritos e organizados em uma história que atendesse a seus objetivos.

Referência Bibliográfica:

MAC AIRT, Sean. Filidecht and Coimgne in Ériu, Vol 18, pp. 139-152. Royal Irish Academy, 1958.