Por Marina Storino Holderbaum

A função do fili no período pré-Normando é o ponto focal de discussão deste artigo e a sátira entra como um fator fundamental no entendimento deste ofício. O poema enaltecedor e a sátira são descritos como opostos que afetam o valor de honra de um nobre ou Rei, sendo que, assim como a sátira pode arruinar sua honra, o oposto pode limpar todo o dano causado por ela. Entretanto, existiriam regulamentações do uso das sátiras nos códigos penais, que sugerem outro tipo de poema, o trefocal, uma espécie de meio termo entre os dois, que deveria necessariamente acontecer antes da sátira, e serviria como um tipo de aviso ao seu alvo, de que, se não mudada, sua conduta levaria a uma satirização legal, que tinha o efeito de punição sobre o indivíduo.

Segundo Breatnach, essas formas de poema eram funções não do bardo, mas do fili, e ele tinha o dever de cumprir com suas obrigações enquanto poeta, sem ser excessivamente enaltecedor ou usar a sátira como forma de extorsão, sob pena de perder seu status. O autor afirma que, de acordo com um tratado do século X, não seriam passíveis de receber estes tipos de poemas apenas os nobres e Reis, mas também clérigos e mulheres, desde que os termos do poema estivessem de acordo com a posição legal de quem os recebesse.

A maior parte dos poemas que o autor usa como exemplo são originários de tratados “poético-legais”, o que nos leva ao seu argumento final de que, de fato, o seria o fili, e não o bordo, o oficial encarregado de produzir o poema enaltecedor, assim como a sátira e o poema trefocal, pois já que o fili era o responsável pela condenação, advertência através do poema trefocal e sanção legal através da sátira, seria estranho que o poder da contrapartida positiva fosse concedido a outro oficio.

Referência Bibliográfica:

BREATNACH, Liam. Satire, Praise and the Early Irish Poet in Ériu, vol 56. Royal Irish Academy, 2006